cleau

Março 17, 2009

Amigo disse pro Clodovil que foi tudo muito divertido, e mandou beijo. Foi divertido mesmo.

:’(

Tô tristão? Sempre tive carinho pelo rapaz. Mas beleza; beleza. Um beijo, tá.

Março 17, 2009

Começaaaando a acreditar na Flip.

Era só pegar a menina pra criar. A menina, seus dois bebês, quem mais fosse. Se se é radicalmente a favor da vida – sem itálico, sem ironia – é preciso fazer apostas; se se está no mundo mas não se é do mundo é preciso ser exemplo. Três crianças bem-alimentadas, bem-educadas (além de vivas, muitíssimo bem-educadas), argumentos sólidos e respirantes. Nenhuma teologia da libertação, nenhum desvio canônico, tentativa de parecer moderno, agradar os olhos do mundo.

É uma pena. É como uma língua que morre.

455-458

Março 2, 2009

Gustav é compositor. Há meses que ele está envolvido numa discussão candente com Säure a respeito de quem é melhor, Beethoven ou Rossini. Säure é a favor de Rossini. “Não sou pró-Beethoven enquanto Beethoven”, argumenta Gustav, “mas sim na medida em que ele representa a dialética germânica, a incorporação de um número cada vez maior de notas à escala, culminando com a democracia dodecafônica, em que todas as notas recebem a mesma atenção. Beethoven foi um dos arquitetos da liberdade musical — ele submeteu-se às exigências da história, apesar de sua surdez. Enquanto Rossini estava  se aposentando aos 36 anos de idade, correndo atrás de rabo-de-saia e engordando, Beethoven levava uma vida cheia de tragédia e grandeza.”

“E daí?” é a resposta habitual de Säure a esse raciocínio. “O que é que você preferia fazer? A questão”, interrompendo o costumeiro grito indignado de Gustav, “é que as pessoas se sentem bem quando ouvem Rossini. Quando você ouve Beethoven, você só sente vontade de invadir a Polônia. ‘Ode à Alegria’, o cacete. O cara não tinha nem senso de humor. Vou lhe dizer uma coisa”, brandindo o punho magro de velho, “tem mais Sublime na parte do tambor de La gazza ladra do que em toda a Nona Sinfonia. Em Rossini, o importante é que os amantes sempre terminam juntos, o isolamento termina, e, quer queira quer não queira, esse é o único grande movimento centrípeto da Mundo. Em meio a todas as maquinarias da cobiça, da mesquinez, do abuso do poder, o amor ocorre. Toda a merda se transmuda em ouro. As paredes são derrubadas, as galerias são escaladas — ouça!” Era uma noite no início de maio, e o bombardeio finaç de Berlim estava em andamento. Säure tinha de gritar a plenos pulmões. “A italiana está em Argel, o barbeiro está quebrando a louça, a gralha está roubando tudo o que há para roubar! O Mundo todo está confluindo…”

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