só que eu nem leio muito, na verdade. Quanto adolescente lendo mais e melhor que eu. O que eu realmente leio, mesmo, hoje em dia, must confess, é One Piece. Isso eu leio sem parar.

para mim a senhora do engenho

Fevereiro 25, 2009

[Por exemplo, eu ainda acho que poema é um trem falado; que livros de poesia são como partituras, que poesia visual até existe, mas é uma perversãozinha - ou uma forma de gratidão com a escrita - que poesia é, mesmo, uma arte performática. E é o que a gente aprende: imperadores a largar campanhas para ouvir um talentoso, bárbaros/pobres bebendo e jogando dinares ao poeta, elegantes se agradando uns aos outros com versos e drinking games, sábios em torno de um guqin. Mas não xunxa aqui, e não deve xunxar com vocês, também. Ninguém curte, tr00ly, um SARAU.

Parece-me quase sempre preferível ler quietinho, em cima da cama, um poema bonito, do que ouvi-lo de alguém. Isso é perverso, isso é muito claramente perverso,  é roubar no joguinho. Porque ou não se gosta, realmente, de poesia - e aí é enfadonho, mesmo - ou se gosta, mas se tem uma espécie de vergonha da performance e da publicidade, como se se pode ter vergonha das coisas que os amantes dizem quando não somos nós a dizê-las. Das coisas que são íntimas.

Só que essa é uma forma menos consciente de não gostar de poesia. O constrangimento em um sarau é o mesmo que dá qualquer livro de poemas (que não os consagrados): ninguém compra, pareceria comprar panfletos de um amigo, ou de um cara que poderia ter sido seu amigo na faculdade, escrito quando ele era do CA. Não se expor à voz é ]

Eu tava a escrever isso – e depois parei – porque tinha lido um poema que achei muito bonito, e quando lia veio certinho a voz da Maria Bethânia. Olha, eu vou falar pra vocês, eu acho que a melhor forma do mundo de se falar poesia (é declamar que se diz, né?) é a dela, eu falo muito sério. Não é como quando eu digo que gosto demais da Bethânia cantando mas não sei o porquê [eu vivo dizendo isso, que ela é uma coisa que eu não sei defender, que ela comete todos os pecados possíveis mas ela pode, e não é um apesar de (e gostar da Bethânia-cantora-mostly-cafona não é como gostar das cafonices que leio/escuto, porque essas têm seu lugar e sua razão muito bem colocadinhas) ], quando ela recita (éé, recitar) eu acho ótimo excelente e sei exatamente por que que gosto.
Read the rest of this entry »

da inércia

Fevereiro 25, 2009

Grandes tradições, como a Igreja Católica e o desfile das Escolas de Samba do Rio, irão todas acabar um dia. O triste é que serão passagens muito tristes. Coisas assim têm uma inércia muito grande, elas não conhecem a Boa Morte. Há muita paixão, muita gente envolvida, muitas vidas consagradas elas todinhas, o senso enorme de conservação, de transmissão. Elas não acabam na hora certa – nem os Titãs, nem o Poison, nem a Marvel; cada poeirinha, cada mariposa resiste. Mas a Igreja, tão bonita e bobinha, mas o samba-enredo, tão LIVELY e terrivelmente convencional, esses terão de atravessar séculos de climão e constrangimento. O primeiro exemplo é um belíssimo cachorro morto, imponente sequóia seca; o segundo é anestesia, corda frouxa, trem que perdeu a graça qual bandinha que perdeu a graça MAS O SAMBA NÃO PODE MORRER. A coisa vai ficar muito feia ainda, vai ressecar desgostosamente diante dos olhos dos descendentes de nossos descendentes, e nenhum ateu militante, nenhum wunderblogger doente do pé terão o ânimo polemista. Eu, que sempre pareci curtir a idéia da velhice, vejo que não é bonito envelhecer às vistas de quem tem o tamanho de um poro da sua pele.

bananas from uk

Fevereiro 15, 2009

A República Tcheca é a nova presidente do Conselho da União Européia, e ao escultor David Černý foi encomendada uma obra comemorativa. David trouxe a lume Entropa – e espia:

Apresentação da obra, em PDF. Aqui a fonte.

lê aí

Fevereiro 9, 2009

Uma coisa que me é importante aqui.

Dixie Oxalá

Fevereiro 9, 2009

pho313x491womenwork

Estávamos ao Twitter (aquilo lá eu nunca abandonei) quando súbito nos aparece o rapaz que diz que o jardineiro é Jesus, e olha isso, minha gente.

Eu bem achei bonito, muito bonito. Os ideais de cristão que eu nutro [não para mim, são para os Cristãos Como Eu Acho Que Devem Ser (a gente vai criando um *personal Mundo das Idéias* com character sheets para cristãos, ladrões, assassinos, budistas, mães, educadores, então nem venham)] ornam perfeito com a história. Cristãos são isso aí, amam a Deus sobre todas as coisas, ao próximo como a si mesmos e de jeitos que ninguém entende nem mesmo eles, porque ou estão falhando pantanosamente ohcomosoupecador, ou porque estão mandando bem e aí é Deus,

e Deus escreve certo por linhas tortas e tem pensamentos mais altos que os nossos e exalta os humildes e derriba os poderosos e até agradece muito ao pessoal da Grande Conversação e da Civilização Ocidental por ter edificado tão belas obras em Seu nome e honra, só que os anjos estão aí, sempre a vos lembrar que a sabedoria do mundo é loucura para Deus, e versa-vice, porque O Altíssimo pega os sábios em sua própria astúcia, pois é pois é.

E isso da sabedoria/loucura é muito usado pelaí pra justificar teologia – ou o que é pior, pra uhul-somos-diferentes-dos-mundanos-espia-meu-rebolado-em-louvor-ao-NSJC – o que nos é muito bobinho. Teologia é o empreendimento mais risível de todos (Borges dizia que é a maior das literaturas, todo um outro assunto), toda teologia é falha, e não adianta você que é religioso vir concordar “é mesmo, é sempre falho”, não, que se você estivesse a entender mesmo o ponto cê largava esses dogmas todos aí e não trocava mais o abadá por roupa-de-missa.

Mas num tô cheid odd, não, ó. Ao contrário, achei bonita a coisinha toda. Rabugi sem querer, mas é bom porque estamos a falar de vocação profética, e profeta é isso aí, palavras de ódio, mensagem de amor; ai de ti cidade tal, gente hipócrita concupiscente, sascoisa.

e mais

Fevereiro 1, 2009

Bruno Aleixo, um boneco peludo, com sotaque bairradino, residente em Coimbra, dava conselhos na Internet e acabou à frente de um “talkshow” na SIC Radical. Eis a alternativa no humor nacional: não se ri do actual; ri-se, só.

U’a matéria simpática, até, a respeito do menino Bruno. Mas é chato, isso, né? O pessoal cria barriga e não percebe que, hm, não é que se deixou de ‘rir-se do actual’; rir-se do actual é que foi moda, por um tempo, não foi sempre assim, e tchans.

E, mano, envelheço e desaprendo a terminar frases, tá difícil.