Aliás

Novembro 23, 2008

O post ali embaixo cita um autor importante pra muita gente – importante mesmo, uma geração se identificando em seu torno, e se identificando enquanto geração – sobre o qual resolvi escrever dia desses mas achei melhor não, não tenho nada pra dizer de verdade sobre David Foster Wallace.

DFW se matou agora em setembro. Separei links acompanhando toda a comoção, mas joguei tudo fora e não sei mais o que mostrar. Eu fiquei um pouco triste, também, estava justo começando a conhecer a obra. No Brasil possui apenas um livro traduzido, que não é Infinite Jest, o tijolão que o tornou famoso em 1996.

É esquisito isso. As internets falam do mundo como se fosse isso aqui que eu vivo e, olha, não é não. Não importa o quão pequena é minha cidade; é você pegar, por exemplo, especialista aqui em Literatura Contemporânea que nunca nem ouviu falar do rapaz. Acadêmico nenhum daqui. Pessoal equacionando por aí literatura pós-moderna à literary fiction (o termo só abriga os americanos, né?), polemiquinha porque júri do Nobel diz, no meio do hype, que os americanos estão ilhados e não conseguem acompanhar o que realmente acontece na literatura mundial, pessoal aqui não conhece nem Thomas Pynchon.

Me deixem reclamar; poxa, o pessoal é pago pra isso! A internet é meio que a mesma no mundo todo; fora o acesso que eles têm a coisas – sei lá, JSTOR. Em certos aspectos, não importa muito o nível de excelência dos lugares, de nada disso.

Acho que o que sobrou dos links, novamente, foi o Sérgio Rodrigues. Bom, eu me esqueci do que ia dizer, mas era tipo só isso. Em miríades de blogs as pessoas o carpiram, escreveram como quem discursa ante um caixão; eu quase que me senti num velório, mesmo, meio sem graça por não poder dizer muito. Só pensando no disparate, mesmo, na hierarquia das panelinhas estéticas especialmente despropositada face ao advento da Biblioteca Universal.

De espertibus

Novembro 23, 2008

Acho que isso aqui encerra uma chateação minha e de muitos nós, gentes boas. Isso aqui, ó.

Eu não entendo é terminar o cotejo da coisa falando em “sinuca de bico”, em “haverá saída? acho que não”. Não se trata de uma real fatalidade; não se está a falar de nenhum estado irreversível de coisas (bem ao modo em que nos acostumamos a descrever as modernidades, tal). Isso não passa de um estado chatinho de coisas, um lado pouco bonito de um momento decadente e pacífico (sim, pacífico), que – sério – não passa de um momento.

(e decadente, prestenção, não é negativo; contrapõe-se aos momentos heróicos, aos tempos que todo mundo add mas que são muito menos curtição do que parecem, vistos daqui de longe. Pensem em decadentismo assim, ó: fin-de-siècle, Wilde, Pax Romana; e me deixem)

Mas vejam lá, vejam lá: .

Cicero’s

Novembro 17, 2008

Oi, gente. :)

Me incomoda estar aborrecido, quando o aborrecimento não possui nenhuma sutileza. Não é que eu fique a tentar viver apenas experiências muito refinadas – estou falando de coisa bem específica, em que deveria estar presente algum espírito sutil. Por exemplo, este poema de Elizabeth Bishop (One Art):

The art of losing isn’t hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn’t hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother’s watch. And look! my last,
or next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn’t hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn’t a disaster.

Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan’t have lied. It’s evident
the art of losing’s not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.

Viu? É bonito, mas tem isso do imperativo que me aborrece. E aí que o incômodo, aquele de que falava acima, não tem a ver com uma coisa rude, tosca, que eu tenha encontrado. Eu fico incomodado é com me aborrecer de forma tão pouco sutil (em assuntos que exigiriam alguma sutileza, i. e., poemas, nhenhenhe). A coisa pra mim virou lei. Eu bato os olhos num imperativo em verso e digo USE FILTRO SOLAR – lembro dos mails com “textos da Clarice”, dos poemas ruins em geral, essas coisas. Esse poema, inclusive, One Art, já apareceu na minha caixa de entrada junto com o doggerel.

Mas por mais que seja esquisitinho mesmo, não pode virar lei, gente; não se pode avaliar as coisas bonitas com leis. Só que eu não consigo achar, mesmo, que um poema usando imperativos vá prestar; e aí que eu acabo de ver essa tradução aqui, no blog do Antonio Cicero, e fiquei mais feliz. Reparem como o tradutor (Nelson Archer) resolve minhas angústrias. A gente poderia falar de outras coisas, boas e ruins, nessa tradução, mas eu só queria falar disso. :)

(e o layout do blog torna a leitura um bocado difícil; eu li no google reader, nem tinha percebido. se tivesse lido lá direto ia me chatear um bocado. mas valeu)