O Espelho Fumegante
Fevereiro 28, 2008
Entre os da minha etnia é costume adolescer escolhendo um povo antigo pra estimar. E o meu povo de estimação eram os astecas. E geralmente o que interessa a um menino em um povo são campanhas de guerra ou deuses fabulosos¹, e eu tinha o meu deus preferido entre todos, deus deorum, deus potissimus, augustior deus omnibus deis², Tezcatlipoca – o Espelho Fumegante.
Tezcatlipoca era, inclusive, meu nick de IRC, meu primeiro nick na era dos nicks (acabou, né, a era dos nicks. o que a gente chama de nick, hoje, é outra coisa). Esse deus funcionava da seguinte maneira: era obscurinho, meio deus-das-trevas, e grande inimigo de Quetzalcoatl³, a Serpente Emplumada, o “culture hero” dos astecas. Tinha uma perna só, porque a outra foi comida; um espelho na barriga pra ver a humanidade; e ele todo era uma espécie de espelho (que fumegava!) – e aí o divo barato tezcatlipoco.
tududududududu du
Fevereiro 26, 2008
Ave Maria de Gounod, pelo público de Bobby McFerrin. A primeira na Alemanha, a segunda nos Estados Unidos, com um público de coralistas.
Bobby McFerrin os acompanha com o prelúdio de Bach sobre o qual Gounod justapôs sua melodia. Prelúdio #1 em Dó maior, 1° livro do Cravo Bem Temperado.
Legal, né?
(via Idéias Soltas)
“nem às paredes confesso”
Fevereiro 25, 2008
Ao fim, minha cara-de-pau costumeira: peço uma exclusiva. Ele diz que não pode, eu insisto, ele diz que não dá, sai andando. De repente, pára. Volta e, com a mão no meu ombro, Fidel abre um sorriso:
- “És una gran reportera.”
E vai-se embora.
Eu, em choque, senti os olhos ficarem cheios d’água. Um dos mitos do século XX havia me elogiado. Sabatella, do meu lado, se emocionou comigo. Uma cena para Dom Cappio nenhum botar defeito.
Menos de três meses depois, chego na redação e abro os jornais. “Cuba é a maior prisão de jornalistas do mundo”, acusa o Le Monde, reproduzindo manifesto de um grupo de intelectuais radicados na França. Vários dissidentes haviam sido presos e executados após julgamento sumário.
Chorei de novo, desta vez sozinha. Aqueles minutos com Fidel tinham sido (e continuem sendo) um dos momentos inesquecíveis da minha vida profissional. Mas senti vergonha por ter compactuado, mesmo que por instantes, com uma ditadura.
Arrastão, Janaína Leite, mais nova A Postos. Oi, Janaína. :)
E é contra isso que me bato. Não há vergonha em se emocionar com o emocionante. Emocionar-se não é compactuar, tal como o “tudo compreender não é tudo perdoar”; sistemas políticos ou de pensamento são como música ou qualquer outra coisa comparável a música: você sempre corre o risco de ser tocado por aquele bolerão. Ou aquele bolerão sempre esteve em seu coraçãozinho, mas bem, você não seria cantor de bolero por isso.
Abraça o teu Fidel, filha. Agora combate o teu Fidel.
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(é, ué. é sério)
tostão na cabeça
Fevereiro 21, 2008
Eu sempre quis escrever sobre Richard Dawkins. Falando mal, como vocês todos aí. E se você ainda não falou mal do moço, procura no Google: “Richard Dawkins”. Todo mundo tá lá, falando mal. E é um pouco por isso, por já estar devidamente documentado que ele é bobinho, tadinho, que me seguro pra não escrever. Há, também, um motivo bastante mais principal que é o de evitar falar do que não se gosta. A não ser que seja algo assim, bem ruim, bem perigoso, bem mais substancial.
Dawkins não, fica aí, chutando cachorro morto. Escrevendo panfleto contra Deus. Não acho não, filhas, que Deus está morto nem nada. Mas é um assunto ao-tôo, num é não? Discutido dessa forma?
Só que eu acabei de lembrar de uma coisa. Quando Charles Dawkins escreveu O Gene Egoísta geral gostava. Ficavam pelaí “todos os seres vivos somos apenas a douchebag of gens, carregamos nossos senhores pra lá e pra cá, somos escravos de sua imperiosa vontade” como se fosse assim, os 99 nomes de Allah. Seus bobos. É a mesma coisa. A bobagem do ateísmo militante é a mesma que confunde desoxirriboses com chaves-do-mistério-da-vida, que equaciona alma = cérebro, que acha que descrever uma semente crescer é entender por que ela cresce. É também a que acredita na vaga entidade do acaso e que tem medo de almas roubadas em clones.
Eita, James Randi, Dawkins. Assunto besta. Que cruzada, hein.
Foi mal aê. Sem querer, gente.
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(climão)
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AH! Vocês não vão acreditar! Sabem quem eu vi?
Vão lá, vão lá, em algum momento vocês vão entender. Mira como se mueve, mira como baila, mira como salta, mira mira.
Revivei os mistérios dolorosos
Fevereiro 19, 2008
Oh, modoso.
Daí que
1) Descobri – leso que sou, só agora – a extended entry do WordPress \o/ ! Tava precisando.
2) Essa moça está mapeando os blogs em português, por aí, pelo projeto de que faz parte. Eu me adicionei lá, achei simpático. Adoro mapas, né. Se vocês tiverem algum blog legal se apresentem lá.
Eu não sei o que ela acha, porque o projeto não tem curadoria: você se inscreve à vontade. Mas Escuadras recomenda: se nem você gosta do seu blog, acha bocoió, num põe não, né. Põe aquele outro, bonitão.
Ambrósio
Fevereiro 15, 2008
Na minha cidade passa uma estrada paralela à praia, que tem seus momentos bonitos e se chama Rodovia do Sol. Eu gosto do nome. Dia desses houve um acidente lá, e um delegado morreu. Falar de delegado morto me deixa um pouco aflito, inda mais cá da comarca; doravante vou chamá-lo Ambrósio, pra que reste alguma dúvida. Eu gosto do nome.
恭喜发财,新年快乐!
Fevereiro 13, 2008
Eu tinha me esquecido, mas feliz Ano Novo, gente.
:)
恭喜,恭喜,恭喜你们!
de artibus magicis
Fevereiro 13, 2008
Uma das definições de magia a estabelece como uma outra causalidade. Rigorosa, sujeita a leis e à reflexão, igualmente natural. Há outras definições, plêiades delas, e podem ser visões sortidas de uma mesma coisa – “a manipulação direta da realidade”, “o domínio da natureza pela supressão da causalidade”, e eu não vejo como isso se daria senão por um conhecimento de uma causalidade outra, irmã ou superior à que se conhece. Também podem ser coisas diferentes sob um mesmo nome; magia pode ser um investimento em palavras de poder ou um conhecimento profundo da natureza, essa mesma aí que faz cair coisas e solar bolos, mas assim, muito profundão mesmo. Magia pra mim é alguma coisa assim, muito legal. Qualquer coisa que seja das mais legais do Universo. Pralguns, é algo desesperador (= muito legal).

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