Janeiro 24, 2008

vede

Janeiro 22, 2008

Falei, falei, falei, falei, falei, falei, falei de alfarrábios e me esqueci do BibliOdissey. Maior legal.

Steve Reich no P.Q.P. Bach. O rapaz é um bastardo que foi traduzido, e deu num blog de música erudita (e jazz, , né, e jazz), que é – [pausa] – augusto. Era mais bonitinho no frugal blogspot, mas avante. Espreguiço-me e não dou o link, mas lá tem um disco do Natal do Charlie Brown que é a coisa mais rica. Meus respeitos à tertulinha do blog.

Mais um testemunho de ex-bruxo africano pra enriquecer o prodigioso mundo evangélico.

Eu, moleque, às vezes queria ter cabelo de preto pra fazer esculturas. Queria um castelinho na cabeça, com torres e ameias. Enfim, não fui o único.

Sabes diferenciar um japonês dum chinês dum coreano? O teste (via Tokyomango).

Te dou um Dado?

The Sartorialist, moda de rua. Em technicolor.

Originalmente um blog de petróleo – um dos assuntos mais enjoados da enjoaria, mas um bom informe a respeito dos -istões e de toda a Ásia Central. Casado com uma cazaque, e tudo. Antigamente era bacana, porque o Turcomenistão tinha o presidente mais pirado de todo o sempre; mas Saparmurat Niyazov morreu faz coisa de um ano. Só chamei a atenção porque soube disso aqui través dele, e vê que bacano – no mundo inda há territórios sem dono. Se eu quiser um país no Ártico, como fas/?

Essa moça escreve sobre videogames. Muito bem. Best ever.

Tô gostando dessa pornografia aqui. O mau é que tem muita propaganda política.

E toda a cidade de Shanghai, renderizada como se fosse um jogo. Parece que vai ser feito com todas as grandes cidades chinesas. Lindo.

Saudações devotas.

Janeiro 18, 2008

então

Eu brinco de boneca com meus livros. Na minha estante pobrinha, eu os arrumo todos de modo a forçar diálogos. De modo sempre a constrangê-los um pouco. Porque só o constrangimento os leva a falar. Livros, quando simpatizam, ficam num silêncio satisfeito de quem se conhece como a si mesmo.

Um climão bacano sai com livros de parapsicologia. Eu tenho três, e só um é bom. Os vagabundos eu deixo ao lado de um tratado de Psiquiatria (do Henry Ey, todo sério e esforçado), tagarelando. O bom eu deixo colado aos Freud. Tadinho, muere de vergonha dos colegas.

Conversas INSÓLITAS entre Asimov e Norton (Desvendando o PC, de 94 – só não joguei fora por isso). Stanislaw Ponte Preta suando ao lado de Ibrahim Sued (e eu amo os dois). Ninguém liga pra Henry Miller. A Bíblia fica lá, como um Budão gordo e feliz, e ninguém consegue ter coragem de criar caso. A Henry James evito climão, que ele nunca mereceu. Mas preciso comprar alguém que lhe apraza. Deixei Flann O’Brien lá, mas não consegui ainda imaginar os diálogos.

Isso de não conseguir imaginar os diálogos me é um grande problema, e também um grande exercício criativo. Ao contrário de outros divertimentos mais fáceis, como a minha coleção (minha única coleção no mundo) de Livros Que Ninguém Mais Escreveria. Meu myprecioussssest entre mypreciousss é um chamado A África Hoje, muito gostosinho de ler, e que ao fim faz uma defesa apaixonaaaada do Apartheid. Mas, voltando,

quando um Bakhtin chegou aqui, emprestado, eu não consegui mas de nenhum jeito imaginar como se daria com os Rabelaises. Não consigo, não consigo. Nunca os aproximei. Dicionários também, não consigo – a não ser, sei lá, se eu tivesse um de rima árabe, obviamente mais fácil.

Meu grande enigma, todavia, se deu quando pus Borges – um de capa sanguinho e letra Or¹ – ao lado de um Baltazar Gracián. Gracián foi um moralista, pitaqueiro do século XVII, escreveu livrinho de sabiduria, e eu tenho um Ediouro dele, aqui. Borges, que eu tenha lido, nunca desacatou ninguém como ao pobre diabo. Humilha o jesuíta como pode, dá dó.

Ponho os dois juntos. Borges sabe que Baltazar vive, no Paraíso da minha estante. Baltazar sabe o que Borges diz. Se Borges continua a dizer o que sempre disse, seria uma deselegante repetição por força da birra. Se se cala, pareceria covarde ou demais orgulhoso para quem se sabe morto, em estado de livro. Se Baltazar puxa o exato assunto, não parecerá muito sábio. Se puxa assunto diverso, tampouco. Se se cala, menos.

Quando conseguir saber do que falam (porque eles já estão lá, falando), serei mestre no brinquedo de bonecas com livros. Enquanto isso, olha o que eu achei.

*

¹meio sanguinho, meio murrey, nunca sei

Janeiro 18, 2008

Então, livros. Mó gosto de livros. Mó sempre gostei. Você também deve gostar, né, moça, senão só tinha vindo aqui uma vez e nunca mais.

Muita gente gosta, ao contrário do que os que gostam pensamos. “ah, ninguém gosta de ler” – gosta sim, gosta sim; e se há problema, o problema não é esse. Às vezes gostar demais é, com efeito, um problema. Ou um certo jeito de gostar demais.

Eu não sou um bibliófilo. Minha estante é pobrinha, tadinha; leio por ela (mais pra prestigiar o que é nosso, né, senão quem vai, etc), mas leio mesmo em bibliotecas, filando de amigos, no computador. Os livros estragam todos na minha mão; não tenho o costume, mas sou a favor de livros rabiscados; gosto do cheiro do papel, de tipos que me lembram livros de infância, mas não sinto falta do objeto se puder ler na tela. Mas tem gente que curte bastante livros, curte de verdade, que coleciona e tem as manhas todas.

Não é isso que seja um problema, ao contrário – é bom, é bonito; a bibliofilia me é uma formidável arte menor, e “arte menor” pra mim é elogio (eu que choro com tapetes). Vê isso aqui por exemplo:

Fore-Edge Painting

Bonito, não? Vai lá, ver direito. E isso aqui, ó?:

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Legal, né? Aqui a senhora vê mais.

Ih, tanta coisa, ó. Ó. O_o. olha. Olha não. Linda arte menor, a bibliofilia.

Daí que leio todo dia uns blogs de livros, mantenho entre meus feeds, tudo mais. Mas, assim…

…a impressão que dá é que quem cuida demais de livros não têm tempo (jeito?) de lê-los direito. Livristas os mais zelosos, alfarrabistas dos mais criativos parecem meio bobos, não sei. Gente esperta, bonita, saudável, sensível, mas que, hm, se dedica a LIVROS. Não é muito certo – como diz um amigo.

Os bibliófilos e bibliotecônomos que leio são até bacaninhas, mas o normal é que sejam todos bobos. Eu me lembro de quando era pequeno e ia pra casa dos outros e ficava lendo enciclopédia, quietinho, e as mães adoravam. Todo mundo tratava esse hábito com uma sacralidade que só me deixava envergonhado com meus amiguinhos. Livros não são sagrados. Ou são. Tanto quanto um monte de coisa.

Mas, bem, perdão, estou a pregar. E eu só queria contar como eu brinco com livros. Agora só no post de cima. Ali, ó: Î

Î = setinha pra cima

De como blogs são nomeados

Janeiro 16, 2008

Na assembléia rafaélica de minh’alma (ugh) não são poucos os que hostilizam o nome deste blog. Almículas berram seus lobbies, com violência e sem esperança, de que “Escuadras de Cataluña” é um nome gratuito, ao-tôo, ruinzinho, bocoió, desbacano, nefelibata¹, apoucado, infeliz, hesitante, exitante², chumbrega, chumbo, brega, menor (me ofendeu), labrego, menoscabado, tísico, sem fim lucrativo, bobo. Não deu nada, e ao fim minhas mentes compreenderam que é um nome joinha.

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Um Feliz Natal atrasado

Janeiro 15, 2008