se liga na dica
Agosto 8, 2009
A tradução dos Lusíadas pelo Burton é muito massa! Se liga lá, no texto da mulher dele, no prefácio citando Manuel Correa, na dedicatória a D. Pedro II (amar sempre amar D. Pedro II), na oitava rima tão fielzinha!
(eu aprendi a gostar tru dos lusíadas quando, preparando uma aula, li no canto x tétis a mostrar a máquina do mundo ao gama, e depois de apontar onde residem os deuses and suchs contar pra ele que é tudo mentirinha, que eles na verdade nem existem, que só DEUS há e brilha e olha lá na máquina pra você ver. era pra ser um disclaimer chato e sem graça, mas fica bonito, sabe, uma deusa – que tá te pegando – vira pra você e diz ‘olha na verdade eu não existo’, não sei, lê lá que cês veem. aí depois disso curti o poema inteiro)
1 e 2
Agosto 2, 2009
1
Parabéns, Globo, por Som&Fúria. Perdoem-me os amiguinhos que não gostaram tanto – eu não curtia globos assim desde que eu tinha os meus cinco, que tinha Juba&Lula, que tinha Roque Santeiro. Eu curti bem A Favorita, também, e não admito ninguém que ainda ligue a televisão – aberta, então, ok – e deixe ela lá, ligada, dizer que não é legal. Eu sei o que vocês sentem, e o que vocês passam, seus globos, e estou aqui lhes dando parabéns. Espero que você, jovem estagiante que me achou nas internets, passe isso pra frente, digam aí que chupar aquela série canadense, botar mulheres mais bonitas que aquelas feiosas originais, facilitar as atuações naqueles pontos certos, deixar de luisfernandice, enfim, foi muito acertado, e que todos nós, os rafaéis trindade do brasil, gostamos muito, e nós não somos poucos, e nós somos influentes. Beijo queridos.
2
Machado podia renascer, crescer, ser querido por quem de nós estiverem, e reescrever seus poemas todos! Com uma reescrita eles ficariam uma coisa muito, ó *pega na orelha*
Ouço que a natureza é uma lauda eterna
De pompa, de fulgor, de movimento e lida,
Uma escala de luz, uma escala de vida
De sol à ínfima luzerna.
Ouço que a natureza, – a natureza externa, –
Tem o olhar que namora, e o gesto que intimida,
Feiticeira que ceva uma hidra de Lerna
Entre as flores da vela Armida.
E contudo, se fecho os olhos, e mergulho
Dentro em mim, vejo à luz de outro sol, outro abismo
Em que um mundo mais vasto, armado de outro orgulho,
Rola a vida imortal e o eterno cataclismo,
E, como o outro, guarda em seu âmbito enorme,
Um segredo que atrai, que desafia, – e dorme.
“Mundo Interior”, tá nas Ocidentais. Lembrar de Les Orientales, da hidra-universo etc.
Tem também esse, citando Lucrécio:
Suave Mari Magno
Lembra-me que, em certos dias,
Na rua, o sol de verão,
Envenenado morria
Um pobre cão.Arfava, espumava e ria,
De um riso espúrio e bufão,
Ventre e pernas sacudia
Na convulsãoNenhum, nenhum curioso
Passava, sem se deter,
Silencioso,Junto ao cão que ia morrer,
Como se lhe desse gozo
Ver padecer
Quando eu digo que ele podia reescrever eu tô elogiando do mais fundo do meu coração magrelo
Quirinus Kuhlmann is said to have written a poem whose words can
be recombined to yield some 6.227.020.800 other distinct poems.
Judging by the sources I have on the subject it is call “XLI love
kiss”.
(sei que depois queimam ele, e que depois ele é usado pelo Cid Campos)
Meus trechos favoritos de livros nunca são muito citáveis. Não fazem muita graça sozinhos, não são witty ou especialmente belos per se; o que sói haver de mais tru em prosa são punches acumulados, de alguma forma dizem do livro todo, dizem com o livro todo.
Daí recorto outros coisos, o que for bacano, o que for citável; e agora vou deixar tudo num trem separado.
o mundo passando de fase
Abril 11, 2009
• Expeditio Linci: Zelda em latim! /o/
• Li, neste post, uma citação de Lu Xun, sobre Laozi. Lu Xun foi o herói literário do século XX na China, o primeiro a escrever em chinês vernacular, o que o tornou pai do modernismo de lá. Laozi é Lao-Tsé, vocês conhecem. Ecce:
“Lao Zi’s words are inconsistent. He warned against prolixity, yet from time to time he gave vent to indignant words; he valued non-action, yet wished to rule all under heaven.”
Acusar Laozi de contraditório – não parece besta? Só dá pra entender, sei lá, se considerarmos os tempos, os cansaços. São só três linhas traduzidas, contudo; eu nunca li Lu Xun.
• The Big Picture. Troquei por uns 40 feeds no Google Reader.
• Copycats!
• Provérbios. “Um por dia”. Proverbiais, lowbrow, sanchopâncicos que são, mas eu curto. A página é muito limpinha, e é bonito quatro palavrinhas se desdobrando em subordinações ^^
• John Cleese é um dos meus ideais de velhice. Larga a banda a tempo, antes que vire os Titãs, e hoje filma galinha de estimação em casa. Sou fã.
• Já disse de Zelda em latim, né? Tem o I e o II, lá. Tem também um projeto antiiiigo de FF6 em latim, retomado; tá nos 45% e tá bem legal, tô gostando. Soube disso (do Zelda) no Auntie Pixelante, que é de uma criadora de jogos muito criativinhos, tá de parabéns. Olha, por exemplo, esse, e depois esse.
• E lá soube também do Chrontendo. Um AUDACIOSO projeto de jogar e resenhar, em podcasts, cada jogo do nintendinho. Uma das funções do ROM hacking é preservar, catalogar, fazer sobreviver à obsolescência. O rapaz levou isso a sério, e nós aplaudimos (y)
• Falando ainda em videogames, tomaí mais uma função de emuladores, e ROM hacking. Assistam esse vídeo, vê só. Peço desculpas ao b2kn, que mandou o trem num email a mim e a um pessoal, e colo aqui o que ele disse, sem autorização. Foi mal hein:
Pode parecer uma tremenda bobeira pra quem não gosta de videogame, mas a forma como o programinha permite interação com o sistema é bem crítica, já que permite acesso a dois níveis do dito cujo simultaneamente.
Certo que, por um lado, isso é algo que todo emulador faz (qualquer emulador “adds a layer of meta-gaming” – como deve saber quem já tentou jogar hacks impossíveis de Super Mario, que só da pra entender com funções tipo savestate e slowmotion). Agora, oferecer isso de bandeja ao usuário através de uma única interface é bem pedagógico, num sentido positivo da palavra. Serve de perfeita ilustração do que é o computador, e como deveriam funcionar dinâmicas open source.
Enquanto forma cultural excelente de sistemas digitais, ainda acho que videogame > banco de dados / interface. Mesmo dentro da lógica belicista das novas tecnologias: o que mais vemos por aí é bombardeamento por joystick.
• Tenho me interessado por Gustavo Corção. Era um velhinho, escritor, católico tradicionalista; querido, claro, da juventude wunder. Mas tinha amor verdadeiro no coração, ao contrário do resto dos seis sedevacantistas no mundo. Anticomunista, antivanguardista, fã de Castelo Branco; era tão legal odiá-lo como a Roberto Campos. Mas – olha que bonito! – amigo por toda a vida de Oswald de Andrade. Vejam se não é bonito. Hein.
• Acho bom esse menino Rui Lage; gostaria de comprar seu último livro, Corvo. Aqui se tem uma longa apreciação do coiso, por um rapaz que eu vivo citando (tem algo bem ok no que ele escreve, ainda que, por vezes, pareça meio intoxicado de leituras dos franceses; mas tá, muita gente boa passa por isso)
• Houve, na China, uma revista literária Jintian (“Hoje”), de 1978 a 1980, quando foi banida. Todo mundo lá conhece, todo mundo add; poetas que ficaram famosos (e exilados, quase todos), versos que apareciam nos cartazes de Tiananmen em 89, tal. Daí descobri, dia desses, que todos os números da revista estão disponíveis, aqui. Mas só em mandarim :S
(pra não perderem a viagem, conheçam Bei Dao, que fundou a revista: uma introdução, algumas traduções, e o próprio lendo alguns poemas)
(dá um alívio gostar de Bei Dao, e Duo Duo, e esse pessoal, sabe. tinha preconceito por causa de Cui Jian. que é tão ruinzinho! e achar que a China ficou uma coisa bruta, que desde então não teve nenhum Kawabata por lá, a inevitável comparação com o Japão)
• thru-you.
• BitBang!
• Peguei afeto a uma série britânica dos 70, Mind Your Language. É uma classe de inglês para estrangeiros. Toda sem-gracinha, mas criei ternura pelos personagens :~
• isso aqui = auto-ajuda
• Uz-Translations! Livros de lingüística e métodos para línguas. Mano, pra todas as línguas. Alguma coisinha de crit lit. Uploads frenéticos.
• E o pintinho, melhor webcomic pt.br.
• Paul Drayton + King’s Singers – valeu, Nelson
• Aí fizeram lista das 99 coisas que você já viu nas nets ao longo da vida, aí fizeram versão brasileira, porque sempre fazem versão brasileira, então ok
• DANCINHAS PRA DANÇAR (vlw @luiza_adnet)
• não, mentira, É ASSIM – ASSIM,ASSIM
(e a coisa dafted, o que nos lembra, né)
• Zooborns: recém-nascidos nos zoológicos. E como abraçar um bebê.
• nograss \o\
• Darvaz. Darvaz, gente. Darvaz existe há 35 anos e ninguém nunca me contara :~
• Rare Books on Calligraphy and Penmanship.
• Acabei de baixar The Wind Carpet, vamos ver como é. Enquanto baixava vi esse trailer, e já tava preparando pra aloprar – ques monte de legendas, e que melão-na-feira, e TAPETES, e A PERSIA A PERSIA O VERDADEIRO ORIENTE – só que é tudo de um canal de seita vietnamita louquinha, entendera tudo errado ^^’
(vale dizer que o filme mesmo só achei aqui)
• E Santiago. Santiago, o filme. Santiago saiu em DVD, Santiago agora é baixável. Quando entrei no cinema, meio a contragosto – como sempre entro em cinemas – sem saber o que passava; quando saí de lá dando parabéns ao *Cinema Nacional*, quando achei que, infelizmente, não sairia dos circuitos bobos de que vivem os filmes, de que eu não o encontraria nunca no isohunt. Santiago no isohunt é o Brasil passando de fase.
Olhando os posts mais antigos, e me dando uma vergonha tão grande, mas tão grande. E não há nada aqui com mais de um ano e meio.
Acho que eu não formei personalidade ainda /o/
*shush*
Abril 4, 2009
–proibido–
cleau
Março 17, 2009
Amigo disse pro Clodovil que foi tudo muito divertido, e mandou beijo. Foi divertido mesmo.
:’(
Tô tristão? Sempre tive carinho pelo rapaz. Mas beleza; beleza. Um beijo, tá.
alguns de nós poderíamos ser papas
Março 10, 2009
Era só pegar a menina pra criar. A menina, seus dois bebês, quem mais fosse. Se se é radicalmente a favor da vida – sem itálico, sem ironia – é preciso fazer apostas; se se está no mundo mas não se é do mundo é preciso ser exemplo. Três crianças bem-alimentadas, bem-educadas (além de vivas, muitíssimo bem-educadas), argumentos sólidos e respirantes. Nenhuma teologia da libertação, nenhum desvio canônico, tentativa de parecer moderno, agradar os olhos do mundo.
É uma pena. É como uma língua que morre.
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